segunda-feira, novembro 20, 2017

Mitologia dos Orixás: os deuses da mitologia africana combatem intolerância


Há um mês, entrevistei o Professor titular de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e escritor, Reginaldo Prandi. Foi uma tarde incrivelmente agradável e de grandes descobertas para mim. Posso afirmar que estive diante de um universo que desconhecia e que gostei muito do papo (ele está neste link).

Além do conteúdo que você acompanha na conversa para o NET Educação, do Intituto NET Claro Embratel, projeto premiado para o qual desenvolvo podcasts desde 2012, preparei (de forma amadora: sem muitos recursos técnicos, mas com muito amor) este vídeo em que Prandi narra os perfis dos principais orixás. Acompanhe no player abaixo:






Prandi começou a se dedicar à Sociologia das religiões em 1971, no CEBRAP – Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Lá havia grupos que estudavam diferentes setores da sociedade e Prandi ficou no responsável pelas pesquisas das religiões brasileiras, onde fez levantamento daquelas de origem africana.
Anos depois, já na livre-docência, o sociólogo fez uma incursão por 60 terreiros localizados na cidade de São Paulo. “Essas religiões se baseiam no conhecimento oral e grande parte desse conhecimento são mitos dos orixás, que foram mantidos vivos no Brasil com a chegada dos escravos, que traziam a sua própria cultura”, afirma Prandi.   
  
Com mais de 30 livros publicados, com destaque para “Mitologia dos orixás”, o autor escreveu alguns títulos para o público infantojuvenil. O objetivo é popularizar esse tipo de assunto e tornar os personagens mitológicos mais conhecidos, auxiliando crianças e jovens a perceberem e a assimilarem as diferenças. De acordo com ele, os orixás permitem que se trabalhe a diversidade cultural, já que “cada um deles está ligado à natureza e, ao mesmo tempo, cuida de algum aspecto que faz parte da nossa vida em sociedade e, às vezes, até aspectos da constituição do indivíduo”.

Apresentar os orixás por meio da mitologia é uma forma de combater o preconceito, ao mostrar que o Brasil é muito plural quando se trata de cultura. “Você tem outras formas de enxergar a vida, de enxergar a morte, como é que o mundo se organiza, outras versões para a criação e o fim do mundo, tudo isso mostra que nós não somos um monolito cultural”.

Entidades das religiões afro-brasileiras, os orixás, trazem além de sua mitologia uma extensa representatividade cultural expressa em vestes, danças, pratos e sonoridades. Em visitas a escolas para conversar com alunos e pais, Prandi se depara com diferentes trabalhos realizados a partir de seus livros. “Há escolas que fazem cenários, outras que fazem as comidas que são narradas”.
Reginaldo Prandi ressalta que os livros que escreve não devem ser vistos com enfoque na religião, quando estudados na escola, mas sim pelo viés da Cultura. “Escola não é lugar de religião. Religião é uma escolha pessoal, de herança familiar”, conclui.

Em três volumes destinados a crianças e jovens, Prandi apresenta a mitologia básica de todos os principais orixás cultuados no Brasil: Exu, Ogum, Oxóssi, Logum Edé, Ossãe, Omulu, Nanã, Oxumarê, Euá, Xangô, Obá, Iansã, Oxum, Ibejis, Iemanjá, Oxaguiã, Ifá, Ajalá, Odudua e Oxalá.

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