sexta-feira, agosto 18, 2017

Como buscar Peças Raras neste blog

Na parte superior desta página, você encontra uma caixa de busca, conforme ilustração abaixo (no celular, é preciso alterar para "versão para web"):


Se procura por algum programa específico ou tema relacionado ao rádio, nesse espaço digite exatamente o que deseja ouvir. Sua pesquisa terá um melhor resultado se você colocar este assunto entre aspas. Depois, é só dar "enter" e divertir-se.

Boa viagem pelas ondas do rádio.

Fique em sintonia com nossas peças raras também em:










Abaixo, você encontra uma série de episódios do podcast Peças Raras. Divirta-se!

16 anos do programa mais curioso do rádio: "Você é Curioso?", da Bandeirantes

No sábado, dia 12 de agosto, o programa "Você é Curioso?", apresentado por Marcelo Duarte e Silvania Alves na Rádio Bandeirantes, comemorou 16 anos. A atração recebeu o time de colunistas, ao vivo, no estúdio, e contou com a participação do primeiro entrevistado que conversou com o ouvinte da Bandeirantes. Ficou curioso para saber quem foi? Então relembre no áudio e nos vídeos dessa edição especial.

Aqui, o link para o áudio completo

Sugiro que acompanhe todo o programa, que está uma delícia. 

Abaixo, os vídeos dos bastidores do aniversário, no estúdio da Rádio Bandeirantes.  



quarta-feira, agosto 16, 2017

Walter Silva fala sobre Álvaro de Moya e a TV Excelsior, em depoimento de 1994

Álvaro de Moya ficou conhecido por ser um especialista em quadrinhos. Na imagem, em 1951, diante de painel de exposição que conduziu sobre o tema. 

Jornalista, escritor, produtor, ilustrador e diretor de cinema e televisão, Álvaro de Moya morreu aos 87 anos de idade nesta semana. Pioneiro da TV, ele fez arte na Excelsior dos anos 1960. 

Em 1994, o radialista Walter Silva (que ficou famoso por seu "Pick-up do Picapau", em depoimento ao Museu da Imagem e do Som (MIS), falou sobre uma época em que a arte se sobrepunha ao comercial nos veículos de comunicação do Brasil. 

Ouça a fala de Silva, que foi ouvido à época pela historiadora Daisy Perelmutter e pelo jornalista Jefferson Del Rios. 



(se o player não estiver visível, clique aqui para ouvir)


Clique aqui e tenha acesso ao livro Gloria in Excelsior, escrito por Álvaro de Moya para a Coleção Aplauso. 

terça-feira, agosto 01, 2017

Morre Archimedes Messina, criador de jingles marcantes para Varig e da música "Silvio Santos vem aí"

Archimedes Messina (à esquerda) e Luiz Henrique Romagnoli, clicados por mim,
 na entrega do 10º Prêmio GPR de Criatividade em Rádio, em que Messina foi homenageado.
Triste notícia para os amantes da comunicação: morreu Archimedes Messina, criador de jingles históricos para Varig e da música "Silvio Santos vem aí": http://guiadoscuriosos.uol.com.br/blog/2017/08/01/archimedes-messina-a-morte-do-criador-da-musica-silvio-santos-vem-ai-e-dos-jingles-do-cafe-seleto-e-da-varig 

Amanhã vou conversar com meu amigo Marcus Aurélio, no programa Todas as Vozes, da Rádio MEC/Rio, a partir de 9h45. Vamos ouvir um trecho de entrevista que fiz com Messina em 2012, na entrega do 10º Prêmio GPR de Criatividade em Rádio.

O programa Todas as Vozes vai ao ar de segunda a sexta, de 7h20 às 10h, na Rádio MEC AM do Rio de Janeiro, 800 kHz, com apresentação do jornalista, professor e radialista Marco Aurélio Carvalho.Você pode ouvir, pela web, aqui: http://radios.ebc.com.br/aovivo?emissora=radio-mec-am---rio-de-janeiro

sexta-feira, julho 28, 2017

Oficina: Caminhos do Mário - Ecos da Pauliceia Desvairada





Nas tardes de terças-feiras, durantes os meses de agosto e setembro, eu (Marcelo Abud) e o fotógrafo e roteirista Paulo Toledo estaremos coordenando a oficina "Caminhos do Mário - ecos da Pauliceia Desvairada", na Oficina Cultural Casa Mário de Andrade, na Barra Funda.









Marcelo Abud e Paulo Toledo, no início dos anos 2000, foram sócios
na produtora de roteiros de vídeo "Roteiro Central"

Sobre a oficina:
Com a finalidade de revisitar os caminhos de Mário de Andrade pela cidade de São Paulo, a Casa segue com o projeto artístico que pretende culminar numa exposição de fotografias, peças radiofônicas, roteiro de vídeo, fotos e textos relacionados ao bairro e à cidade em que viveu o autor de A meditação sobre o Tietê, que evocará memórias de Mário de Andrade ao longo de trajetos que um dia o poeta percorreu.
Os participantes selecionados para o Grupo de Estudo e Pesquisa frequentarão oito encontros, realizados uma vez por semana, com eixos artísticos inter-relacionados que servirão de base para a formação de grupos específicos, coordenados por Marcelo Abud (radialista, professor e pesquisador) e Paulo Toledo (fotógrafo, roteirista e produtor).
O Grupo, cujas atividades envolvem a pesquisa de campo, terá o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a produção e a vida de Mário de Andrade; para tanto, seus integrantes serão estimulados a criar novas obras artísticas inspiradas na trajetória do escritor.
Durante os encontros, haverá conversas e dinâmicas conduzidas por especialistas de diferentes áreas artísticas ligados direta ou indiretamente à obra de Mário de Andrade. A saber: Reynaldo Bessa, escritor, professor de Letras e músico conduzirá um módulo envolvendo o gênero crônica e a escrita criativa. Estão sendo confirmadas duas outras participações, que irão se dedicar a estimular o grupo para a criação de um canal de resenhas literárias no YouTube e a entender e reproduzir um processo de adaptação de uma obra literária clássica para linguagens como HQs e vídeo. O coordenador do espaço e músico Marcelo Tupinambá também fará participações para falar, por exemplo, sobre a importância da criação de uma trilha original em áudios e vídeos.
Como resultado, os participantes vão desenvolver processos artísticos em diferentes linguagens (foto, vídeo, áudio, texto) e visitarão espaços como a Pinacoteca e o Theatro São Pedro, espaços ligados aos caminhos que Mário fez pelas artes do Brasil.
A base para a oficina serão pesquisas de campos da etnografia e crônicas da cidade, por meio de leituras dos livros "Táxi e Crônicas No Diário Nacional", "Amar, verbo intransitivo" e "Mário de Andrade Fotógrafo e Aprendiz", em sete encontros, culminando, no último dia, em um evento aberto ao público com apresentações provenientes do processo desenvolvido pelo próprio Grupo.
Serviço:
Terças-feiras, 8, 15, 22 e 29 de agosto, 5, 12, 19 e 26 de setembro das 14h às 17h
Público: Livre
Inscrições até o dia 08 de agosto (ou até as vagas serem preenchidas)
40 vagas

Nova Brasil tira "sangue" das músicas para incentivar doação




A Rádio Nova Brasil FM está com uma campanha institucional para incentivar seus ouvintes a doarem sangue. Desde a semana passada, 10 músicas (duas em cada spot) são apresentadas com interrupções quando a palavra sangue surge na composição. No vídeo acima, você tem uma amostra da ação. 

A criação é assinada pela agência Wunderman e tem como propósito incentivar o aumento de doações, justamente neste período de férias e de inverno em que os bancos de coleta ficam mais vazios. 


Quem estiver com a função RDS (Radio Data System) ativada no rádio do carro ou no celular, conta ainda com mensagens de impacto escritas no visor do aparelho. 
  “Se o sangue faz falta nas músicas, imagina nos bancos de sangue. Doe e ajude a salvar vidas”, diz a assinatura. 
Crédito: divulgação


segunda-feira, julho 24, 2017

Jornal das Profissões - Criatividade no rádio





Em julho de 2009, participei do Jornal das Profissões para falar sobre Criatividade no rádio.


A primeira parte da conversa trata sobretudo do jingle. A propaganda no rádio foi autorizada por Getúlio Vargas em 1932, dez anos após a primeira experiência de transmissão realizada no Brasil. Desde então, o jingle se tornou um estilo marcante e diferenciado de comunicar mensagens e atingir em cheio o público. Da primeira música feita para o Pão Bragança até o então atual Viajante Mastercard, a evolução e as mudanças foram inúmeras. Mas uma coisa permanece e é um forte aliado de quem utiliza este formato em suas campanhas: a aceitação do público pelo fato de dar mais "brilho" à plástica da emissora. Em outras palavras, todo mundo gosta de música, mesmo que esteja em uma rádio de notícias. O jingle desempenha um papel de entretenimento na programação e invariavelmente acaba por ser repetido pelo ouvinte até em situações em que este não tenha nenhuma atração por determinada marca. 

Conversei com a apresentadora Elis Marina também sobre o formato que passou a se destacar nas últimas décadas, dos anos 1980 para cá. Nos spots, caracterizados como comerciais que possuem fala e efeitos sonoros, prevalece o humor. Outra percepção é que algumas das peças criadas inicialmente apenas para o rádio acabaram ganhando uma posterior versão televisiva. Como é o caso de "Louco por Lee", "Rádio Kaiser" (dá pra tomar uma Kaiser antes?) e outras que são lembradas na entrevista. 

quinta-feira, julho 13, 2017

Cultura FM: 40 anos de uma história sonora




Na última terça, dia 11 de julho, a rádio Cultura FM completou 40 anos no ar, com uma incrível transmissão ao vivo da Sala São Paulo. Maestros, músicos, grandes vozes da emissora, repórteres da melhor qualidade deram o tom da festa à altura desta sonora história. 

Neste sábado, dia 15 de julho de 2017, a TV Cultura apresenta uma cobertura especial de tudo o que aconteceu na Sala São Paulo. Acompanhe a chamada no player acima ou neste link

O texto a seguir foi extraído do material distribuído para a comemoração das 4 décadas da Cultura FM: 

A Rádio Cultura FM entrou no ar em 11 de julho de 1977 com um papel definido: colaborar na formação do público. Assim agiu ao longo de 40 anos, em uma jornada única e que contou com o entusiasmo e aplauso da parte do ouvinte. 
Formar o público não queria apenas dizer que a educação do ouvido seria garantida por meio da música clássica, a arte dos grandes mestres, capaz de conquistar a alma de todos com sons acariciantes e muitas vezes hipnotizantes. Tratava-se também de refletir sobre os fundamentos da vida cultural como um todo e de promover o debate, de organizar a documentação musical e sobretudo fazer parte da vida diária dos brasileiros. Dessa forma, não apenas deu relevo à música chamada 'erudita', como também abriu espaço para a música em sua totalidade, como integrante das atividades artísticas diárias da população. 
Das manifestações da música popular brasileira ao jazz e aos sons experimentais, tudo o que a Cultura transmitiu foi pensado para ser consequente e relevante. Foi pensado para alterar a vida das pessoas. Foi o que ela cumpriu. Ela atinge hoje a sua plena maturidade com uma programação sólida e um público fiel que só fez crescer com a amplificação fornecida pela internet e a tecnologia digital. O ouvinte deve se transformar para melhor depois de tomar contato com os meios de comunicação, quando ele divulga conteúdo e informação de relevância. 
O meio também precisa se transformar a si mesmo e surpreender quem o utiliza. Precisa surpreender sem subverter os fundamentos. Foi isso que a rádio Cultura realizou ao inovar em vários aspectos. Ela foi uma das primeiras emissoras brasileiras a transmitir espetáculos ao vivo e, ao mesmo tempo, oferecer análises e esclarecimentos sobre o evento, colocando em perspectiva tudo aquilo que se reveste de atualidade. Em 1983, revolucionou a transmissão de música clássica no rádio colocando pela primeira vez no ar o som digital do compact disc. Foi a primeira a contar com um Guia do Ouvinte, que dava a programação musical completa da emissora e da cidade. Ela também foi pioneira em se fazer presente na internet como emissora digital, e arrebatou ouvintes no mundo inteiro". 

Acesse também o arquivo dos programas da emissora no site: http://culturafm.cmais.com.br/para-ouvir

A cerimônia que celebrou os 40 anos da Cultura FM vai ao ar no programa Clássicos da TV Culrua, neste sábado, dia 15 de julhor, às 21h30. 

Cerca de mil ingressos foram distribuídos para convidados e para o público em geral que, gratuitamente, puderam prestigiar o evento e comemorar com a equipe de produção, apresentadores e equipe técnica da rádio e da TV Cultura, que gravou o concerto para exibir neste especial.

A história da Rádio Cultura FM foi contada por meio de depoimentos em vídeo de boa parte daqueles que foram fundamentais para a construção da emissora, desde sua idealização na casa do ator Sérgio Luiz Viotti até os dias atuais. Com a apresentação do jornalista, roteirista, poeta e locutor Fábio Malavoglia, estes depoimentos foram costurados pela apresentação da Orquestra e por entrevistas feitas em tempo real pelos repórteres Cirley Ribeiro e Gilson Monteiro.

Emoção, competência e experiência foram as marcas do mestre de cerimônias Fabio Malavoglia (Foto: divulgação)

terça-feira, junho 20, 2017

O Pick-up do Picapau é tema de dissertação de mestrado

Quando a 2ª Guerra tem início, Walter contava 6 anos de idade.  O avô Américo Antonio comprara em 1939 um rádio New Condor, na loja Irmãos Assumpção, para ouvir as notícias sobre o conflito. Walter ficava com ele, ouvindo estarrecido as notícias. Sintonizavam a Rádio Nacional de Lisboa, a BBC de Londres – com a emissão em Português -, emissoras francesas e italianas. 

Nesta segunda, dia 26 de junho, às 14h, apresento minha dissertação de mestrado na UNIP Indianópolis, que fica à Rua Dr. Bacelar, 1212 - 4º andar, na Vila Clementino. 

"Walter Silva: o mais popular disc-jóquei de São Paulo em sintonia com a transformação da música brasileira" é a dissertação que vou defender na segunda, dia 26 de junho de 2017. A pesquisa tem como tema o surgimento do “vitrolão” no rádio brasileiro, formato que unia a música de disco à personalidade dos disc-jóqueis, em substituição aos programas musicais ao vivo, com orquestra, que imperavam no rádio brasileiro dos anos 1940 até meados dos anos 1950. Com isso, permite-se perceber a relação entre música e mídia ao longo de pelo menos duas décadas. O estudo inclui a audição de depoimentos deixados por Walter Silva em importantes centros de pesquisa, no caso Centro Cultural São Paulo e Museu da Imagem e do Som (MIS). O objetivo é apresentar a maneira de pensar e produzir para o rádio e a música, pelo ponto de vista de um disc-jóquei que foi de fundamental importância para a difusão da MPB e, em especial, da Bossa Nova. Com isso, pretende-se resgatar a memória do rádio paulistano entre o final dos anos 1950 e o início da década de 1980, período em que Walter Silva alcançou a liderança de audiência com seu “Pick-up do Picapau”. Como objetivo secundário, serão oferecidos - para estudantes e jovens profissionais de rádio - argumentos que permitam a elaboração de projetos e programas mais consistentes para esse meio de comunicação, a partir do estudo da base da linguagem radiofônica.  
Relembre a entrevista que deu origem a minha dissertação de mestrado (se o player não estiver visível, clique aqui)


Esse trabalho teve como ponto de partida entrevista que realizei com a parceira de vida e profissão de Walter durante 50 anos, Déa Silva, no final de 2011, para o quadro Interferência, da Rádio Bandeirantes. Para produzir a dissertação, tive acesso ao acervo particular da família de Walter Silva e a divisão de multimeios do Centro Cultural São Paulo. O referencial teórico inclui pensadores como Fernando Iazzetta, Paul Zumthor, Marcos Napolitano, Lipovetsky, além de outros pesquisadores e autores de livros ligados à Bossa Nova e ao rádio. Os resultados podem ser conferidos na defesa que acontece na segunda, dia 26, e apontam para o entrelaçamento entre comunicação e memória, ao promover uma escuta atenta da evolução do rádio e da música brasileira.

sexta-feira, junho 16, 2017

Curso para Locutores/narradores com Rosa Matsushita e Deborah Izola



O curso para locutores/narradores acontece de 28 a 30 de julho e é uma realização de Áudio-descrição cursos e eventos. Abaixo, os detalhes:


HORÁRIO:
- sexta (4 horas): das 18 às 22 horas, com Rosa Matsushita;
- sábado (4 horas): das 8 às 12, com Rosa Matsushita;
- sábado (4 horas): das 13 às 17, com Deborah Izola;
- domingo (4 horas): das 12 às 16, com Deborah Izola.

LOCAL: Avenida General Ataliba Leonel, 4075 (próximo ao metrô Tucuruvi – saída ).

O curso para consultores terá 16 horas de aulas teóricas e práticas.
A primeira parte será ministrada por Rosa Matsushita, jornalista e áudio-descritora com experiência na área da tradução visual para cinema, teatro, seminários, shows, missas, livros, museus, exposições, casamentos, entre outros, com o objetivo de introduzir os interessados no mundo da áudio-descrição.
A segunda parte será ministrada por Deborah Izola, jornalista, locutora, mestre de cerimônias e áudio-descritora. Já trabalhou, em diferentes funções no Brasil e no Exterior, nas seguintes empresas de comunicação: A&EMundo Olé, Agência Estado, Alpha FM, Ativo.com, Batanga, Directv, HBO Latin American, Lipsync, Manchete FM, Ômega FM, Planeta Networks, PodCasting Brasil, Sistema Globo de Rádio (Rádios CBN e Excelsior), TV Bandeirantes, USP FM e Warner Channel, entre outras. Atualmente atua como professora de locução, roteirista e locutora comercial.



Aproveite para relembrar a Alpha FM da época de Deborah Izola, em matéria da antiga MTV. Deborah aparece aos 2'30" do vídeo (se o player não estiver visível, clique aqui para assistir)

PRÉ-REQUISITOS FUNDAMENTAIS: Ensino Médio completo; pleno conhecimento da Língua Portuguesa e da nova ortografia; habilidade oral e de leitura de textos.

PROGRAMAÇÃO:
- 8 horas (sexta e sábado): Breve introdução; e diretrizes para a elaboração de roteiros de áudio-descrição em variadas mídias, com Rosa Matsushita.
- 8 horas (sábado e domingo): aula teórica e prática em estúdio, com Deborah Izola.

INVESTIMENTO:
- Curso para locutores/narradores: R$ 500 à vista. Parcelamento com juros feito pelo PagSeguro. (O pagamento deve ser feito no ato da inscrição para reserva de vaga.)

Para obter informações adicionais, envie e-mail para: audiodescritores@yahoo.com.br, com o Assunto: Inscrição para curso de AD – julho/2017. Vagas limitadas!

Serão emitidos e enviados, via e-mail, certificados de participação para os alunos que completarem o curso com, pelo menos, 80% de frequência nas aulas.

Vagas limitadas!

sábado, junho 10, 2017

Jovem Pan - um universo de notícias

Há uma semana, lembrei-me de um material que conheci graças ao meu amigo, comunicador e professor Valdemar Jorge: o LP "Um universo de notícias". Nesse material, produzido para a Semana de Comunicação da ECA-USP, a emissora compartilhava com os alunos o funcionamento da linguagem e do conteúdo daquela Jovem Pan. A memória me veio em função da morte daquele que foi uma das vozes mais tradicionais da rádio, o locutor Franco Neto. 

Confira no player abaixo esse material incrível. 

Originalmente esse conteúdo foi publicado na série de podcasts Peças Raras, em 02 de maio de 2008. 


segunda-feira, maio 29, 2017

Especial: Um desenho dos 70 anos de Daniel Azulay

A origem deste especial, no momento em que o blog Peças Raras completa 11 anos, é o despertar de meu filho Lucas para as artes. Quando mostro aos amigos desenhos ou origamis feitos por ele, alguns se lembram de Daniel Azulay. Essa recordação me fez pesquisar para saber o que um dos meus ídolos da infância e adolescência está fazendo atualmente. 

Ao descobrir que o desenhista e educador está cheio de atividades, eu o entrevistei para fazer um desenho da educação, em que fala sobre a importância de se desenhar a mão livre, mesmo diante de tantos recursos tecnológicos, e o que isso pode acrescentar a formação de uma criança. Esse bate-papo está no NET Educação, do Instituto NET Claro Embratel

O áudio também pode ser baixado aqui
Foto: Paulo Jabour


DanielAzulay é uma espécie de pioneiro dos canais “Maker” que hoje estão presentes no Youtube. Nos anos 1970 e 1980 ele era referência para crianças que queriam aprender técnicas de desenho ou a fazer brinquedos com sucatas, em um programa de TV que passou pela Bandeirantes e Educativa (RTC, à época), com sua Turma do Lambe-Lambe. Mais recentemente também apresentou uma série no Canal Futura (meados dos anos 2000). Hoje mantém seu canal oficial no YouTube.

Mais de quatro décadas depois do início na TV, aos 70 anos de idade (30 de maio de 2017), o desenhista é conhecido por suas escolas no Rio de Janeiro, que oferecem cursos para crianças e jovens. Azulay também tem feito formação para professores em todo o Brasil e oferece aulas beneficentes para instituições. Nesse caso, trata-se do “Crescer com Arte”, que nasceu em 2000, a partir dos inúmeros pedidos de bolsas de estudo que ele recebia em sua escola de desenho. Ouça a entrevista completa ou acesse aqui, caso o player não esteja visível abaixo:





Cotton candy or candyfloss? Algodão doce pra você!
O pai de Daniel Azulay havia sido premiado com uma viagem aos Estados Unidos, em função de ter escrito um livro chamado “Heróis da história norte-americana”. Segundo Daniel,  isto refletiu na educação dele e dos irmãos. Todos passaram por uma escola inglesa. “Meu pai teve a preocupação que antes que a gente estudasse em uma escola brasileira, que a gente tivesse esse contato com uma escola britânica, a British School, no Rio de Janeiro”. Foi nesse período, quando tinha 4 ou 5 anos, que viu um carrinho de algodão doce pela primeira vez. Algo que o marcaria a ponto de virar uma de suas marcas registradas, como apresentador de TV e músico.

Depois da escola inglesa, passou por uma americana. Desde pequeno, lia em inglês. Até hoje lê mais em inglês do que em português, porque há uma literatura especializada que o auxilia. De 12 para 13 anos foi para a escola brasileira.

Daniel: "Eu gostava da escola inglesa e da escola americana porque os livros eram bem ilustrados. Quando eu estava com 8 para 9 anos, o meu pai começou a se preocupar com a minha leitura, porque na adolescência, meu pai lia muito. E ele queria que nós tivéssemos uma leitura escolhida. Por exemplo, a gente podia ler Monteiro Lobato, mas tinha que conhecer Machado de Assis. Eu preferia mais os livros que tinham figura, ilustrações. Monteiro Lobato tinha, mas nem todos tinham. Então, eu colocava um gibizinho dentro do livro. Ele achava que eu estava lendo (o livro), mas eu estava lendo uma revista em quadrinhos mesmo".

Dentro dos livros de ilustres autores, o menino se divertia com as ilustrações do Capitão Marvel, Mickey, Pato Donald e encantava-se com os animais que falam nas histórias. “A literatura tem essa jornada mágica no mundo da imaginação”, aponta.

Quando saiu da escola americana para a brasileira, sentiu falta das ilustrações dos livros escolares de antes. Foi quando começou a ficar em segunda época quase que todo ano e a contar com auxílio de professor particular para não repetir. Na época, com cerca de 12 anos, Daniel desenhava o tempo todo. “Dava o recreio, continuava na sala desenhando. Só parava de desenhar na hora de ir para casa”, revela. Levou muito puxão de orelha e o pai não entendia como é que o menino não ia bem na escola, já que não levava advertência. Na verdade, Daniel ficava quietinho no fundo da sala, como se estivesse escrevendo e tomando nota.

CIRCO LAMBE-LAMBE
Na conversa, o artista conta que desde os 9 anos de idade tinha o sonho de trabalhar no circo. Chegou a improvisar um trapézio na garagem de sua casa, enquanto o irmão se dedicava a mágicas. Na escola, essa aptidão para as artes foi detectada em uma espécie de teste vocacional. À época, Daniel tinha 13 anos e dizia que queria ser jornalista, enquanto a psicóloga que o avaliava dizia que tinha total inclinação para seguir na carreira artística. “Queria ser jornalista, mas aparecia que seria artista de toda forma”, afirma. 


Três momentos da infância: 1. Na cabana de índio pele-vermelha. Daniel ia à escola americana vestido assim. 2. Aos 10 Anos, no trapézio improvisado,  junto às vassouras da garagem da casa da Rua Barão da Torre em Ipanema (1957), que era decorada como "Circo". 3. Aos 13 anos com o primeiro violão (Oscar Castro Neves deu as primeiras aulas ao garoto Azulay (Fotos do acervo pessoal de Daniel)


“CRIANÇA QUE DESENHA NÃO PASSA A INFÂNCIA EM BRANCO”
No Rio de Janeiro, Daniel Azulay mantêm algumas escolas em que multiplica seu método de desenho: o alfabeto visual. Destinadas às crianças, as oficinas respeitam o desenvolvimento natural de cada um, mas, desde os primeiros traços, estimula o uso de caneta hidrocor em vez de lápis. Segundo o desenhista, isto dá mais confiança aos pequenos.

O método também é difundido em ONGs e projetos comunitários, que contam com o Crescer com Arte, projeto que leva o aprendizado gratuitamente, com base em um treinamento audiovisual, nos moldes do que Daniel fazia na TV. “O curso começou por causa da TV, porque os pais pediam curso para indicar para o filho”. Junto com a esposa Beth, veio a ideia da oficinas.

SOPRINHO E SUA TURMA
Outra atividade à qual o desenhista e educador se dedica é o desenvolvimento de cartilhas sobre temas importantes à comunidade escolar. Na entrevista, ele cita, por exemplo, a ação que desenvolveu sobre trânsito envolvendo a criação de “Soprinho e sua turma” (veja o desenho animado aqui). A ideia nesse caso é conscientizar as crianças sobre os riscos que há em se dirigir, após ingerir bebida alcóolica. 

O projeto, criado para divulgar a Lei Seca, estimulas a garotada a fiscalizar os adultos. Daniel também criou cartilhas ilustradas para ações de combate ao crack. Ele lamenta que atualmente as verbas para ações educativas nessa área estejam “congeladas”.

DESENHANDO UMA EDUCAÇÃO MAIS HUMANA
“Sem querer ensinar o padre a dizer missa”, é assim que Daniel se dirige aos colegas educadores. Ele sabe bem que dar aula no Brasil não é algo que valorizado, como deveria. No entanto, isso não deve ser obstáculo nem diminuir a sensibilidade extra que o mestre precisa ter para respeitar a individualidade do aluno. 

Na escola, crianças podem estar em um processo de percepção e descoberta, por exemplo, para a música ou algum dom artístico, como o desenho ou a dobradura. Ele cita John Lennon e Albert Einstein, que teriam sido alunos dificílimos, por não se adaptarem ao padrão que lhes era imposto. O próprio Daniel, por esse prisma, teria sido um aluno disciplinado. Não por falta de competência, mas pelo amor incondicional ao desenho. 

“Quem nasceu pra música, olha para o professor e lembra de música”, defende. Esse aluno não está ausente porque ele quer, mas porque em sua cabeça há um predomínio de outra arte. Daniel vê o adulto como um ser multi-tarefa e, por isso, mais estressado. Já o adolescente está em transformação e o professor tem de ter paciência também neste aspecto: “não é indisciplina nem falta de educação com o professor”. 
Foto: Mário Grisolli

sábado, maio 20, 2017

Ricardo Boechat nos 12 anos da BandNews FM - Parque Villa-Lobos




Ricardo Boechat passou rapidamente pelos microfones da BandNews FM, para comemorar os 12 anos da emissora no Parque Villa-Lobos. Ouça a fala do jornalista. 


quinta-feira, maio 04, 2017

Peças Raras reconstitui chamadas do ano em que a Bandeirantes entrou no ar



6 de maio de 1937. Está entrando no ar a Sociedade Bandeirante de Radiodifusão. A sua Rádio Bandeirantes!
O momento não poderia ser mais auspicioso. O rádio hoje monopoliza as atenções e o lazer que, antes, eram dedicados à conversa, aos saraus e às reuniões de família.

Atualmente, porém, o centro de uma residência é determinado pelo rádio. É este que indica qual o ponto de reunião. Se o rádio estiver na sala de visitas, ali também vão estar os habitantes da casa. Mude-se o aparelho para a sala de jantar e tanto os moradores como as próprias visitas aí vão estar, ao redor dele. Sem o rádio ninguém mais passa. É por isso que todos se reúnem em torno do aparelho, pois é por causa do rádio que a sala em que ele se acha é o lugar preferido de todos.

E a partir de agora é neste lugar que a família vai se reunir para acompanhar a PRH-9 Sociedade Bandeirante de Radiodifusão, a sua Bandeirantes. Nossos estúdios estão localizados à Rua São Bento, no antigo prédio da Bolsa de Mercadorias. É daqui que agora damos início à nossa solenidade de inauguração. Logo após o Hino Nacional, discursam em nosso microfone o diretor-presidente desta emissora, Sr. José Pires de Oliveira e o secretário da Justiça, Dr. Silvio Portugal. Seguiremos com o programa especial de música que vai ter início com Cosi Fant Tutte, de Mozart.

É dessa forma que imagino uma abertura das transmissões da emissora que completa 80 anos agora em 2017.

Imaginando, a partir de pesquisas na pesquisa "Cronologia do rádio paulistano", feita pelo Prof. Flavio Porto, Beth Carmona e equipe do Departamento Multimeios do Centro Cultural São Paulo, também recriei chamadas para os primeiros programas. Todos os que você ouve nessa onda que nos transmite ao passado foram ao ar no ano de inauguração da Rádio Bandeirantes.  

Página do livro "Futebol é com a Bandeirantes" mostra
evolução da logomarca da emissora, desde os anos 1940

No áudio, há também uma vinheta cantada da década de 1950 e o anúncio do início das transmissões da Sociedade Bandeirante de Radiodifusão, na voz do locutor Tito Fleury. Ambos os registros foram extraídos da série Memória, conduzida por Milton Parron (sábados, às 23 h e domingos, às 5 da madrugada). Parron é o responsável pelo CEDOM - Centro de Documentação e Memória - do Grupo Bandeirantes. 


quarta-feira, maio 03, 2017

O Rádio faz História com Peças Raras - jingles marcantes

No dia 02 de maio de 2017, participei do quadro "O rádio faz história", no programa "Todas as vozes", da Rádio MEC AM do Rio de Janeiro. Confira como foi a conversa com o produtor e apresentador Marco Aurélio. 

Destacamos alguns jingles e contamos um pouco de história. O destaque fica para um depoimento exclusivo com Mário Fanucchi, que conta como nasceu o jingle "já é hora de dormir", em 1951, originalmente para a TV Tupi. 


terça-feira, maio 02, 2017

Há 20 anos, a educação perdia o aluno da vida Paulo Freire

Em 2 de maio de 1997, o aluno da vida Paulo Freire deixava nossa educação órfã. Ouça depoimento do eterno educador neste link: http://neteducacao.com.br/multimidia/audios/em-pauta-as-origens-de-paulo-freire-um-aluno-da-vida

Esse áudio foi produzido para a série NET Educação, do Instituto NET Claro Embratel, a partir de material produzido pelo Museu da Pessoa. Ouça todos os podcasts em www.neteducacao.com.br/multimidia



Durante o tempo em que não esteve na escola, o educador costumava dizer que aprendeu com o mundo
 “Meu sonho é que nós inventemos uma sociedade                                                                               menos feia do que a nossa de hoje. Menos injusta, que tenha mais vergonha. 
Esse é o meu sonho. O meu sonho é um sonho da bondade e da beleza.
(Paulo Freire – depoimento ao Museu da Pessoa, 1992)

O educador Paulo Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, na cidade do Recife (PE). Quando estava com dez anos de idade, as dificuldades da família em função das consequências da Crise de 29 obrigou a mudança para a cidade de Jaboatão (PE). Só não passa fome, porque a região era farta em árvores frutíferas.

As privações e experiências de discriminação que vive na infância são determinantes para a formação do educador e da “Pedagogia do Oprimido”, um de seus trabalhos mais famosos. A escolarização vem tardiamente para Freire, somente aos 16 anos de idade que consegue ingressar no colégio.
 
Costumava dizer que, durante o tempo em que não esteve na escola, educou-se no mundo. É este Paulo Freire, que antecede ao educador conhecido internacionalmente por seu método de alfabetização de adultos. No áudio, você acompanha os pensamentos do eterno professor, que defende ser fundamental cada um saber com o que sonha e contra o que sonha.  
 
LINKS:
 - Neste endereço do Youtube, você tem acesso à entrevista na íntegra, concedida por Paulo Freire ao Museu da Pessoa
 - A transcrição da entrevista também está no site do Museu da Pessoa 

Créditos: 
As músicas utilizadas nesta reportagem, por ordem de entrada no áudio, são: “Sol de Primavera” (Ronaldo Bastos, Beto Guedes), na voz de Beto Guedes, "Sementes do Amanhã” (Gonzaguinha), com Fagner.

Em instantes, Peças Raras na MEC AM do Rio de Janeiro




Neste dia 02 de maio de 2017, "O rádio faz história" com nossas Peças Raras, às 8h40 (com reprise às 20h40). Veja detalhes na chamada e curta a participação completa em http://pecasraras.blogspot.com.br/2017/05/o-radio-faz-historia-com-pecas-raras.html 

domingo, abril 30, 2017

Lição de democracia no Colégio Santa Cruz


Nunca na história deste blog um textão foi tão necessário. Aceitando ao convite do Professor Alcides Villaça nas redes sociais, li as três cartas atribuídas aos corpos docente e discente do Colégio Santa Cruz. Reproduzo aqui o debate de ideias, ao contrário do que veículos que pendem para um ou outro lado têm feito, ao exporem os conteúdos com os respectivos juízos de valores que possuem. Aprendi, há mais de 20 anos, na graduação, que era assim que chegávamos às nossas próprias opiniões, ou seja, lendo versões que se opõem, mas que procuram trazer argumentos que as justifiquem. Boa leitura!

AULA 1 – CARTA ABERTA DAS PROFESSORAS E DOS PROFESSORES DO COLÉGIO SANTA CRUZ
“Sei bem que a crise que o país enfrenta não é de simples solução, uma vez que tem raízes sócio-político-econômicas (...) Porém não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira.”
(Papa Francisco, em carta enviada a Michel Temer, no final de 2016)
“Art. 6º da Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a Previdência seja um Direito Social dos brasileiros e brasileiras. Não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os Direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio.”
(Nota da CNBB sobre a Reforma da Previdência)
"Desde o início, o Colégio sempre manteve uma postura educacional coerente com os princípios humanos e evangélicos, que privilegiam a formação integral da inteligência, do corpo e do coração, uma educação voltada para a liberdade responsável e para o comprometimento social. Essa orientação prevalece no Colégio e na mente dos educadores até os dias atuais, em que pesem todas as transformações ocorridas ao longo desses últimos 64 anos de história.”
(Plano Diretor do Colégio Santa Cruz de 2016, versão impressa e disponível no site do Colégio)

O corpo docente do Colégio Santa Cruz vem publicamente expressar sua posição de repúdio às reformas defendidas pelo Governo. Estamos convictos de que a atropelada e intensa mobilização do Congresso Nacional — com objetivo de modificar radicalmente os parâmetros constitucionais que regem o sistema de Seguridade Social e a Legislação Trabalhista, utilizando manobras de urgência para esquivar-se da necessária e ampla discussão democrática — acarretará severos prejuízos sociais e econômicos à sociedade brasileira.
Trabalhamos em um Colégio com uma história de defesa dos valores humanistas e cristãos, de justiça e solidariedade, desde a sua fundação, e com orgulho de ser um espaço de liberdade de expressão, pluralidade de ideias e convivência democrática. Defendemos a longa tradição de inserção comunitária voltada aos mais pobres e com ela nos identificamos. Temos um compromisso com a Educação, com nossos alunos e com a sociedade. Entendemos, por isso, fazer parte do nosso ofício contribuir para a formação de cidadãos responsáveis pela comunidade a que pertencem. Segundo Padre Charbonneau, pilar das diretrizes educacionais do Colégio, cada membro da comunidade “deve assumi-la, promovê-la, e defendê-la, responsabilizando-se, na medida do possível, pelo bem de todos, isto é, pondo-se a serviço da sociedade toda a que pertence e subordinando o seu bem particular ao bem comum”. Por assumirmos essas premissas como verdadeiras, compreendemos que é nosso dever nos manifestarmos contra o processo de precarização do trabalho e de retirada de direitos duramente conquistados pela sociedade.
Entendemos que as relações de trabalho, construídas historicamente, podem servir a interesses diversos e que sua construção é sempre campo de disputas políticas essenciais para o avanço da democracia em um Estado de direito, em que a lei pode ser recurso de consenso. Henri Dominique Lacordaire, um dos precursores do catolicismo moderno, dizia: “Entre os fortes e fracos, entre ricos e pobres, entre senhor e servo é a liberdade que oprime e a lei que liberta”. No atual contexto, de relação entre desiguais, a flexibilização das leis trabalhistas — divulgada pelo Governo como modernização, que prevê, entre outros aspectos, a livre negociação entre lados desiguais, sem amparos legais que garantam direitos realmente voltados a proteger os trabalhadores — necessariamente acentuará os privilégios e benefícios de um grupo à custa da parte mais vulnerável da população.
Frente a isso, é importante esclarecer que, como educadores, assumimos papel de responsabilidade social para além de nossos interesses pessoais e corporativos. Ainda que tenhamos condições econômicas melhores do que grande parte dos trabalhadores, como educadores, nosso interesse pessoal está sempre vinculado a interesses de ordem coletiva e, portanto, não podemos fechar os olhos diante do que consideramos injustiça social.
As razões para nos opormos às reformas são de diversas ordens (econômica, social, política, humanitária e educacional) e consideram os divergentes diagnósticos e análises dos efeitos que elas trarão. Não estamos sozinhos, grupos e entidades reconhecidos em nosso país também se manifestaram contrariamente a essas medidas. Em nota conjunta, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Confecon (Conselho Federal de Economia) posicionaram-se, também, contra a Reforma da Previdência:
"A PEC 287 vai na direção oposta à necessária retomada do crescimento econômico e da geração de empregos, na medida em que agrava a desigualdade social e provoca forte impacto negativo nas economias dos milhares de pequenos municípios do Brasil."
Para nós, professoras e professores do Colégio Santa Cruz, as medidas propostas nos âmbitos do trabalho e da seguridade social irão acentuar sistemas já excludentes. Somente um projeto que torne a previdência social e a legislação trabalhista mais inclusivas e justas, que abrace aqueles que hoje se encontram sem qualquer proteção do Estado, poderá contar com apoio de quem quer diminuir a desigualdade no país.
No que se refere especificamente à Educação, retrocessos que ampliem a vulnerabilidade social e econômica no Brasil e que agravem o quadro de precarização do trabalho são danosos para o espaço escolar. As reformas defendidas pelo Governo, quando clamam à terceirização irrestrita e vislumbram a retirada de direitos sociais, avançam nesse sentido e comprometem tanto a necessária estabilidade do vínculo entre professores, funcionários e comunidade discente, quanto a imprescindível garantia de um limite digno e humano para o nosso exercício junto a crianças, jovens e adultos, no âmbito da Educação que defendemos. Não há escola democrática e inclusiva que prescinda desse vínculo e dessa garantia.
Nós, professoras e professores do Colégio Santa Cruz, acreditamos na formação de cidadãos que se engajem no desenvolvimento mais justo e igualitário da sociedade e não abrimos mão desse princípio que norteia nossa escola, uma organização filantrópica, que tem, acima de todos os outros, um compromisso inegociável com todos os cidadãos. Por conta disso, decidimos por expressiva maioria em assembleia, com a presença de cerca de 70% dos docentes de todos os períodos e segmentos de ensino, amparados na Lei e no espírito democrático, paralisar as atividades docentes no dia 28 de abril de 2017 e resolvemos nos unir ao amplo e cada vez mais expressivo movimento nacional de professores e demais categorias de trabalhadores.

São Paulo, 24 de abril de 2017.

Corpo docente do Colégio Santa Cruz



Aula 2 - Carta (DE UMA PARCELA) dos alunos e alunos do Colégio Santa Cruz

Em primeiro lugar, é necessário dizer que temos um profundo respeito pelo corpo docente do Colégio Santa Cruz, que realiza seu dever de nos educar de forma exemplar, e com o qual possuímos muitas ideias em comum. Reconhecemos também que foram esses professores que nos possibilitaram desenvolver as competências necessárias para entrar no debate político e sempre nos deram o espaço para exercermos nossos questionamentos. Apesar disso, seria impossível não nos posicionarmos frente ao que consideramos uma visão equivocada, com prováveis consequências catastróficas para o País como um todo.
Após ler a Carta Aberta escrita pelos professores referente à decisão de paralisação no dia 28 de abril de 2017, sentimos a necessidade de redigir essa resposta explicitando nossa posição. Reconhecemos o direito à greve e à livre manifestação de ideias e entendemos que a Carta justifica a ação dos professores, porém acreditamos que o posicionamento contra a Reforma da Previdência seja profundamente equivocado. Além disso, a Carta passa ao largo das questões centrais envolvidas, apelando para noções generalistas de “justiça social”. Pauta-se em um maniqueísmo exacerbado e parte, desde a 1ª linha, do pressuposto de que as reformas propostas pelo Governo Federal são ruins para o país e, especialmente, para os mais pobres. Essa forma de pensar apenas simplifica e empobrece o debate.
Com o objetivo de justificar a decisão dos professores, a argumentação esconde-se atrás de uma suposta “proteção de direitos”, defende a manutenção do status quo e falha em criticar aspectos objetivos da proposta de reforma. Acontece que um direito ser garantido por lei não garante o orçamento necessário para cumpri-lo. Sendo assim, a Carta defende que se mantenha o rombo crescente da Previdência. Esse rombo foi, segundo dados do próprio Governo Federal, de cerca de 300 bilhões de reais ano passado (5% do PIB), e tende a crescer conforme a população envelhece. Isso impede tanto a estabilidade fiscal como maiores investimentos em outros setores. Em um país que, falando de Previdência, estão postas duas opções: a Reforma proposta pelo Governo ou o sistema atual, defender a segunda opção é usar o discurso da defesa de direitos para, na realidade, defender privilégios. Dentre estes privilégios, há por exemplo o fato de funcionários públicos se aposentarem fora do RGPS (recebendo o equivalente a seus salários anteriores, ignorando o teto de 5.300 reais que vale para todos os outros trabalhadores). Ademais, o modelo atual permite que os mais ricos se aposentem mais cedo, já que têm muito mais facilidade para contribuir para a Previdência, criando casos absurdos e indefensáveis, como o fato de o presidente Michel Temer ter se aposentado como promotor público aos 55 anos de idade.
Não nos enganemos; ir contra a reforma da Previdência é também defender que um funcionário público continue recebendo em média três vezes mais do que um trabalhador regular (Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados), e que a média de aposentadoria no Judiciário, de 25.700 reais, não seja alterada. Dinheiro esse que poderia ser revertido para outras áreas fundamentais, nas quais o investimento governamental é raquítico, como por exemplo saneamento básico, saúde e educação.
Além disso, o Brasil já gasta uma porcentagem maior do PIB em Previdência do que a média da OCDE, mesmo sendo um país relativamente jovem. Com o envelhecimento do país, que ocorre a passos largos, segundo o IBGE, os improcedentes 13% do PIB gastos pelo Brasil só tendem a aumentar. Não obstante, o número proporcional de pessoas economicamente ativas tende a diminuir. Ou seja, enquanto a expectativa de vida só aumenta e a população em geral só envelhece, parece razoável aos professores que as regras se mantenham as mesmas.
Ao dificultar a aposentadoria por tempo de contribuição, a Reforma Previdenciária contribui para a diminuição da desigualdade no Brasil, visto que, no geral, quem se aposenta antes dos 65 anos são os mais ricos, em decorrência da dificuldade dos mais pobres de serem empregados com carteira assinada de maneira regular. Segundo o DataPrev, o valor médio concedido por tempo de contribuição é de mais de 2 salários mínimos, enquanto o concedido por idade supera por pouco a faixa de 1 salário mínimo.
A posição defendida pelos professores falha em apresentar embasamento técnico e econômico. Defender políticas públicas pautadas em ideais de “justiça” e “defesa dos mais pobres” é meio caminho andado para a irresponsabilidade fiscal. Essa irresponsabilidade fiscal, muito presente nos governos da ex-presidente Dilma, gera inflação, que pune majoritariamente os menos favorecidos.
Em conclusão, parece evidente que, apesar das mudanças propostas apresentarem vários defeitos de origem, forma e conteúdo, as reformas em curso conduzidas pelo atual governo estão em geral no caminho correto de um arcabouço regulatório e legal mais moderno que reduz burocracias, fomenta crescimento e principalmente elimina privilégios construídos ao longo de décadas e que são, além de injustos, completamente insustentáveis do ponto de vista das finanças públicas.



Aula 3 – Carta (DE OUTRA PARCELA) de alunas e alunos do Colégio Santa Cruz:
“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” (Paulo Freire)
“Defenderei sua liberdade de ensinar, para manter minha liberdade de aprender” (Aluno do EM, em mensagem anônima)

Em sala de aula, sempre fomos incentivados a pensar, debater, encarar o mundo criticamente e nos posicionar com respeito frente às questões que nos são apresentadas, tanto dentro quanto fora do ambiente escolar.
Nossas professoras e professores são, sem dúvida alguma, essenciais para a criação e manutenção do ambiente de aprendizado democrático e plural com que sempre pudemos contar para desenvolver nosso pensamento crítico. É notável, em sala de aula, o esforço pelo respeito às diversas opiniões, manifestadas pelos diversos alunos e professores.
Infelizmente, em um momento de profundo acirramento político como o que vivemos hoje, expressar opiniões tem se tornado algo cada vez mais difícil. A intensa polarização enfrentada pela sociedade empobrece o debate e dificulta a livre manifestação de opiniões, promovendo um ambiente no qual impera o desrespeito e a intolerância, deixando o debate de ideias em segundo plano.
Queremos lutar para que isso não ocorra dentro de nossa escola, de forma a zelar pelo ambiente democrático construído por nós e pelos professores, no dia-a-dia da sala de aula.
Acreditamos, portanto, que não devemos isentar-nos da discussão acerca da paralisação dos professores, pois desejamos, acima de qualquer outra coisa, manter possível o debate e a respeitosa manifestação ideológica no Colégio, a fim de evitar que temas caros a nós tornem-se tabus ou mesmo raízes de conflitos de ordem pessoal.
Assim, frente aos acontecimentos recentes, nós, parte do grupo de alunos do Colégio Santa Cruz, gostaríamos de expressar, por meio desta, nosso total apoio à paralisação dos professores na greve geral do dia 28/4.
Não apenas pois reconhecemos e defendemos o constitucional direito à greve, mas também por reconhecermos que as reformas na previdência e trabalhista representam um ataque a parcelas vulneráveis da população, ao pautarem-se na retirada e redução de direitos conquistados pelos trabalhadores ao longo de anos de intensa e admirável luta política.
Defendemos que nossas professoras e professores possam se manifestar e exercer livremente a docência, sem que se crie um clima de tensão e, como consequência, se prejudique nosso aprendizado.
É motivo de muito orgulho para nós observar o engajamento de nossos professores em uma luta que diz respeito não somente a eles, mas a todos os trabalhadores e trabalhadoras que serão amplamente prejudicados com as reformas da previdência e trabalhista.
Gostaríamos de acrescentar que essa carta não reflete o posicionamento de todos os alunos e alunas da escola, mas de um grupo que decidiu se mobilizar para expressar seu apoio aos professores do Colégio Santa Cruz, que democraticamente decidiram aderir à paralisação por motivos já esclarecidos pelos mesmos na “CARTA ABERTA DAS PROFESSORA E DOS PROFESSORES DO COLÉGIO SANTA CRUZ”, publicada no dia 25/04/2017.

Julia Mesquita, André Nunes, Sofia Kassab, Tomás Marcondes, Ana Laura Appy, Rafael Semer, Zoé Reis, Lilla Lescher, Luiz Nigro, Luiza Chucre, Carolina Friedheim, Isabella Cornacchioni, Emília Galvão, Babette Fernandes, Juliana Cornacchioni, Iara Veiga, Raquel Guimarães, Júlia Leite, Gabriela Motidome, Antonio Ikeda, Lis Loureiro, Mariah Salles, Alice Rosenthal, Luísa Takeuchi, Clara Angeletti, Yuri Liegel, Flora Santos, Miguel Worcman, Luiza Freire, Raquel Guimarães, Andre Silvestri, Érico Dias, Isabella Fraia, Teresa Magalhães, Ricardo Daher, Rafael Neves , Maria Rezende, Beatriz Maradei, Beatriz Sales Oliveira, Emanuela Gebara, Antônio Fonseca, Letícia Fagundes, Maria Vitória, Júlia Leite, Julia Podkolinski, Maria Kinker, Mariana Diel, Gabriela Monteiro, Tomer Raca Silberberg


(Vale notar que não pretendemos, aqui, discutir nas minúcias o porquê de sermos contrários à reforma da previdência: queremos, mais especificamente, demonstrar apoio à decisão tomada por nossas professoras e professores.)